|
Ao contrário da tão esperada retoma, em 2004, a economia
nacional continuou a divergir em relação à média de
crescimento dos nossos parceiros da União Europeia (UE).
O Produto Interno Bruto (PIB) deve ter crescido no
conjunto do ano (em torno de 1%) face a 2003, mas há uma
convergência de vários indicadores que mostram o
arrefecimento da actividade económica no segundo
semestre.
Desde Julho passado que o indicador coincidente mensal do
Banco de Portugal tem vindo a baixar, com o de Dezembro a
registar a sexta queda consecutiva.
E, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística
(INE), no terceiro trimestre de 2004, o Produto Interno
Bruto (PIB) desacelerou 1,2% face ao trimestre anterior e
só cresceu 0,8% em relação ao mesmo período de 2003.
A produtividade progrediu apenas 0,9% de Julho a Setembro,
face ao mesmo período do ano anterior, em resultado da
referida quebra do PIB e do decréscimo de 0,1% do volume
de emprego relativamente ao terceiro trimestre de 2003. Um
crescimento que se traduz num aumento da divergência em
relação aos níveis de produtividade dos países
europeus mais prósperos da UE.
Ainda devido ao fraco crescimento económico, a taxa de
desemprego atingiu, no terceiro trimestre do ano passado,
6,8% da população activa (de acordo com o INE),
crescendo 0,7% em relação ao valor do trimestre homólogo.
As famílias portuguesas também perderam poder de compra,
com o Índice de Preços no Consumidor (IPC) a crescer
2,5% homólogos em Dezembro de 2004, contra aumentos de
salários que, em média, ficaram claramente abaixo desse
valor.
As exportações nacionais aumentaram ligeiramente de
Julho a Setembro, mas a progressão das importações foi
muito mais rápida, pelo que a economia portuguesa
continua a perder competitividade.
Do lado da, também esperada, consolidação das contas públicas
as notícias também não mostram um cenário animador.
Os números, divulgados recentemente pela Direcção-Geral
do Orçamento (DGO), apontam para um aumento de 144% do défice
do subsector Estado, passando de 2,9 mil milhões de euros
para 7,1 mil milhões, entre 2002 e 2004. No ano passado,
o défice do subsector Estado representou assim 5,5% do
PIB.
Dir-se-ia então, que a verdadeira retoma ficou adiada
para este ano, mas, tendo em conta as previsões, o fraco
crescimento esperado (entre 1,5% e 2%) não será, mais
uma vez, suficiente para estimular o emprego, a
produtividade e aumentar a competitividade da economia
portuguesa.
[
«
voltar ]
|