|
Muito se tem falado nas últimas semanas a propósito da
entrada em vigor, a 1 de Janeiro, da última fase de
liberalização de quotas aduaneiras, no âmbito da
Organização Mundial do Comércio (OMC), mas fala-se
quase exclusivamente dos têxteis – que será, sem dúvida,
o sector nacional que mais vai sofrer –, no entanto, o
calçado também vai ser afectado.
Daí que o presidente do maior grupo português de calçado
– que detém a marca Aerosoles para a Europa, Médio
Oriente e África – saliente que “o maior desafio
[este ano] estará relacionado com a forma de como se irá
defender e resistir ao fim das quotas aduaneiras dos
produtos importados, nomeadamente, da China, e em como irá
conseguir assegurar uma maior competitividade num ambiente
concorrencial mais desfavorável”.
Para Artur Duarte a melhor forma que as empresas têm,
para atingirem esse objectivo é “deslocalizar partes da
sua produção para países onde o custo da mão-de-obra
seja mais reduzido e posicionar-se mais a jusante da
cadeia de valor”.
E o Estado também tem um papel a desempenhar neste
objectivo. De acordo com o presidente do Grupo Investvar,
o Estado deve “deve incentivar à criação de grupos de
empresas com interesses comuns, que possam concentrar as
suas centrais de compras, de forma a proceder a alguns
processos de deslocalização da produção”.
Deve também incentivar as empresas às alterações
necessárias no processo mais amplo de internacionalização.
Deslocalizar
para não ser… deslocalizada
O líder da Aerosoles fala com ‘conhecimento de causa’
pois a empresa já deslocalizou partes da produção,
“cujos produtos deixaram de ser competitivos se
fabricados em Portugal”, transferindo nomeadamente a
produção de gáspeas para a Índia.
Mas Estado e associações do sector, também não ficaram
de ‘braços cruzados’. Na recente edição da MOCAP,
anunciaram mais de 30 acções de promoção externa do
calçado nacional.
Reforçar as exportações portuguesas e apoiar a transição
para segmentos de maior valor acrescentado são as
prioridades para os dois próximos anos.
Outra medida que António Duarte diz ser importante para
aumentar a competitividade das empresas do sector do calçado
este ano, é “posicionar-se em toda a cadeia de
valor”. A Aerosoles, avançou já com a criação de
redes de distribuição nos principais mercados europeus,
sendo muitas delas participadas pelo próprio grupo.
Para 2005, “pretendemos
encerrar o ano com uma cadeia de 90 lojas Aerosoles [hoje
são 75], alargar o nosso posicionamento em mercados como
a Rússia e Médio Oriente e abrir um escritório na
China”, anuncia o presidente da Aerosoles.
[
«
voltar ]
|