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ARTIGO

 
 

Liberalização coloca mais desafios

Para 2005, pretendemos encerrar o ano com uma cadeia de 90 lojas Aerosoles [hoje são 75], alargar o nosso posicionamento em mercados como a Rússia e Médio Oriente e abrir um escritório na China

Muito se tem falado nas últimas semanas a propósito da entrada em vigor, a 1 de Janeiro, da última fase de liberalização de quotas aduaneiras, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), mas fala-se quase exclusivamente dos têxteis – que será, sem dúvida, o sector nacional que mais vai sofrer –, no entanto, o calçado também vai ser afectado.

Daí que o presidente do maior grupo português de calçado – que detém a marca Aerosoles para a Europa, Médio Oriente e África – saliente que “o maior desafio [este ano] estará relacionado com a forma de como se irá defender e resistir ao fim das quotas aduaneiras dos produtos importados, nomeadamente, da China, e em como irá conseguir assegurar uma maior competitividade num ambiente concorrencial mais desfavorável”.

Para Artur Duarte a melhor forma que as empresas têm, para atingirem esse objectivo é “deslocalizar partes da sua produção para países onde o custo da mão-de-obra seja mais reduzido e posicionar-se mais a jusante da cadeia de valor”.

E o Estado também tem um papel a desempenhar neste objectivo. De acordo com o presidente do Grupo Investvar, o Estado deve “deve incentivar à criação de grupos de empresas com interesses comuns, que possam concentrar as suas centrais de compras, de forma a proceder a alguns processos de deslocalização da produção”.

Deve também incentivar as empresas às alterações necessárias no processo mais amplo de internacionalização.

 

Deslocalizar para não ser… deslocalizada

O líder da Aerosoles fala com ‘conhecimento de causa’ pois a empresa já deslocalizou partes da produção, “cujos produtos deixaram de ser competitivos se fabricados em Portugal”, transferindo nomeadamente a produção de gáspeas para a Índia.

Mas Estado e associações do sector, também não ficaram de ‘braços cruzados’. Na recente edição da MOCAP, anunciaram mais de 30 acções de promoção externa do calçado nacional.

Reforçar as exportações portuguesas e apoiar a transição para segmentos de maior valor acrescentado são as prioridades para os dois próximos anos.

Outra medida que António Duarte diz ser importante para aumentar a competitividade das empresas do sector do calçado este ano, é “posicionar-se em toda a cadeia de valor”. A Aerosoles, avançou já com a criação de redes de distribuição nos principais mercados europeus, sendo muitas delas participadas pelo próprio grupo.

Para 2005, “pretendemos encerrar o ano com uma cadeia de 90 lojas Aerosoles [hoje são 75], alargar o nosso posicionamento em mercados como a Rússia e Médio Oriente e abrir um escritório na China”, anuncia o presidente da Aerosoles.

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