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O turismo é uma actividade muito transversal e, por isso,
exige uma “enorme coordenação das políticas públicas”,
na área do ordenamento, do ambiente, dos transportes…
pelo que deverá ser um “desígnio nacional”, defende
Atílio Forte, presidente da Confederação do Turismo
Português (CTP).
Um desígnio que leve o Estado a criar um quadro exógeno
mais justo para a actividade turística que “é das que
maiores mais valias cria nas outras áreas económicas,
ajudando assim a criar riqueza para o país”.
Para isso, a CTP apresentou recentemente um completo
documento, elaborado pelos agentes económicos, e que
define “opções de política de turismo para a
legislatura 2005-2009”, lembra o dirigente.
“Em Portugal, o peso da actividade turística na
economia (com cerca de 11% do PIB), a sua capacidade de
criação de emprego (10% da população activa) e os
efeitos multiplicadores que gera noutras actividades económicas
(por cada 5€
de receita turística, são induzidos na economia 8,29€), fazem do turismo uma actividade estratégica no
futuro modelo de desenvolvimento económico do nosso país”,
diz o documento.
O sector reclama assim o desenvolvimento de uma “estratégia
clara e a implementação de um vasto conjunto de medidas,
quer de enquadramento orgânico, quer instrumentais,
consensuais entre os agentes económicos privados e o
sector público, como forma de prosseguir um modelo de
desenvolvimento sustentado para esta actividade”, diz o
presidente da CTP. Uma estratégia a desenvolver em
parceria com os agentes do sector.
Redução
e dedução do IVA
‘Cavalo de batalha’ de há muito, a redução da taxa
do IVA e, principalmente a possibilidade do IVA aplicado
ao alojamento e outras áreas do turismo, poder ser
deduzido continua a ser fundamental. Atílio Forte explica
porquê: “quando comparada com os nossos vizinhos espanhóis,
para não ir mais longe, a taxa média de IVA que pagamos
é, em média 12,9% mais cara. Por exemplo, se alguém
organizar um congresso paga 19% pelo aluguer da sala e não
pode deduzir essa importância, enquanto em Espanha, paga
apenas 16% e pode deduzi-los. Competir assim é difícil”,
diz.
Atílio Forte afirma ainda que o Estado tem também de ter
um papel decisivo na redução da burocracia a nível
central, regional e local, em projectos, licenciamentos,
etc. e que leva a fortes atrasos e actua, muitas vezes
como obstáculo, em vez de estímulo, ao desenvolvimento
do país.
As associações empresariais do sector e os empresários
não enjeitam, no entanto, as suas responsabilidades,
garante o líder da CTP, mas lembra que o turismo é uma
actividade essencialmente privada e que os empresários do
sector, um pouco por todo o país foram investindo e
tornando o país no 16º destino turístico a nível
mundial…
“Mas ainda há muito a fazer, por exemplo ao nível da
qualificação dos activos, da reengenharia do produto e
em todas as áreas de gestão, para podermos continuar na
vanguarda. A inovação e desenvolvimento também pode ser
‘aplicada’ neste sector”, salienta.
Os
objectivos estratégicos
Tendo por base vários estudos – estratégicos, técnicos
e científicos – desenvolvidos pela própria Confederação,
a CTP traça assim os objectivos que gostaria que o próximo
Governo seguisse:
– Crescimento da receita turística;
– Promoção do investimento;
– Melhoria do produto e da sua envolvente;
– Criação de um novo quadro de competitividade;
– Qualificação do capital humano.
“Será através da materialização destes cinco
objectivos estruturantes, os quais são correlacionais, e
da sintonia das medidas de política adoptadas, em simultâneo,
para concretizar cada um deles, que se fundará, em grande
medida, a estratégia de desenvolvimento turístico de
Portugal para a primeira metade do século XXI”, garante
a CTP.
Atílio Forte lembra que
são objectivos para serem cumpridos “em parceria público-privado”
e dá o exemplo da área da promoção, onde, desde há um
ano que representantes dos agentes económicos têm uma
palavra a dizer. Desde aí, algumas coisas mudaram já
tendo sido definidas sete áreas promocionais e planos de
promoção conjunta público-privado. “Mas o Estado
continua a investir muito pouco na promoção de Portugal
e do turismo, cerca de 25 milhões de euros por ano”,
diz.
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