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Quando começámos a fazer os Grandes Desafios 2005 ainda
tínhamos uma remota esperança que o título pudesse ser:
“O Ano da Retoma?” mas, rapidamente a dúvida
desapareceu dando lugar à certeza de que a retoma não
está aí.
De facto, a economia nacional começa a afastar-se da
recessão, mas não se pode falar ainda de retoma, já que
continuamos a divergir em relação à média europeia.
Nos vários contactos para a revista e, na generalidade
dos sectores – Têxteis, Calçado, Vinho, Cortiça e
Tecnologias, embora neste último as perspectivas pareçam
mais ‘cor-de-rosa’ –, o sentimento é idêntico:
este tem de ser “O Ano da Transição”. Uma transição
feita pela aposta na qualificação, inovação, e aumento
da produtividade, para estimular a competitividade e o
crescimento.
O sector mais pessimista é, sem surpresa, o têxtil que,
devido à liberalização total das quotas de importação
(a partir de 1 de Janeiro), está a enfrentar o gigante
China que, em pouco mais de três anos, assume já uma
posição hegemónica (50 a 70%) pondo em causa o equilíbrio
mundial no sector.
E a retoma não deverá acontecer em breve, porque a perda
de competitividade, que a economia portuguesa tem vindo a
registar na última década, dificilmente vai permitir uma
franca progressão a curto prazo.
Alguns economistas dizem mesmo que em 2006 o crescimento
poderá ainda não ser sustentado, mostrando-se, por isso,
insuficiente para criar empregos.
O crescimento será gradual, começando a revelar-se
sustentado à medida que se for criando novos factores de
competitividade.
E esta procura de novos estímulos à competitividade terá
de ser feita a vários níveis:
– Estado – É aqui que entra a tão falada reforma da
Administração Pública, e consequente redução do peso
do Estado na economia, mas há que proporcionar também um
clima de estabilidade e confiança, considerado
fundamental por todos os agentes;
– Mercados – que têm de reconverter, modernizar e
rentabilizar o seu funcionamento para se tornarem mais
competitivos;
– Empresas – aqui, as variáveis, já um pouco gastas,
da inovação, I&D, qualidade e produtividade,
parecem, finalmente, começar a entrar no ouvido da
generalidade dos empresários nacionais, começando a
ganhar terreno à mão-de-obra barata e não qualificada e
a gestão cuidada e profissionalizada começa a impôr-se
à de ‘vão de escada’
e à contabilidade de merceeiro (que me perdoem os
poucos que ainda resistem...);
– Cidadãos – uma nova atitude perante o trabalho, a
formação e a qualificação, são fundamentais para a
sua imprescindível contribuição.
Os Desafios que 2005 nos
traz são assim uma ‘carga de trabalhos’, mas todos são
unânimes em dizer que, de facto, há que deitar mãos-à-obra
para recolocar a economia portuguesa no caminho da
competitividade e do crescimento.
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