GRANDES DESAFIOS 

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ARTIGO

 
 

Um ano para começar a restaurar a competitividade

A retoma não deverá acontecer em breve, porque a perda de competitividade, que a economia portuguesa tem vindo a registar na última década, dificilmente vai permitir uma franca progressão a curto prazo.

Alguns economistas dizem mesmo que em 2006 o crescimento poderá ainda não ser sustentado, mostrando-se, por isso, insuficiente para criar empregos.

   Por: Emília Freire

Quando começámos a fazer os Grandes Desafios 2005 ainda tínhamos uma remota esperança que o título pudesse ser: “O Ano da Retoma?” mas, rapidamente a dúvida desapareceu dando lugar à certeza de que a retoma não está aí.

De facto, a economia nacional começa a afastar-se da recessão, mas não se pode falar ainda de retoma, já que continuamos a divergir em relação à média europeia.

Nos vários contactos para a revista e, na generalidade dos sectores – Têxteis, Calçado, Vinho, Cortiça e Tecnologias, embora neste último as perspectivas pareçam mais ‘cor-de-rosa’ –, o sentimento é idêntico: este tem de ser “O Ano da Transição”. Uma transição feita pela aposta na qualificação, inovação, e aumento da produtividade, para estimular a competitividade e o crescimento.

O sector mais pessimista é, sem surpresa, o têxtil que, devido à liberalização total das quotas de importação (a partir de 1 de Janeiro), está a enfrentar o gigante China que, em pouco mais de três anos, assume já uma posição hegemónica (50 a 70%) pondo em causa o equilíbrio mundial no sector.

E a retoma não deverá acontecer em breve, porque a perda de competitividade, que a economia portuguesa tem vindo a registar na última década, dificilmente vai permitir uma franca progressão a curto prazo.

Alguns economistas dizem mesmo que em 2006 o crescimento poderá ainda não ser sustentado, mostrando-se, por isso, insuficiente para criar empregos.

O crescimento será gradual, começando a revelar-se sustentado à medida que se for criando novos factores de competitividade.

E esta procura de novos estímulos à competitividade terá de ser feita a vários níveis:

– Estado – É aqui que entra a tão falada reforma da Administração Pública, e consequente redução do peso do Estado na economia, mas há que proporcionar também um clima de estabilidade e confiança, considerado fundamental por todos os agentes;

– Mercados – que têm de reconverter, modernizar e rentabilizar o seu funcionamento para se tornarem mais competitivos;

– Empresas – aqui, as variáveis, já um pouco gastas, da inovação, I&D, qualidade e produtividade, parecem, finalmente, começar a entrar no ouvido da generalidade dos empresários nacionais, começando a ganhar terreno à mão-de-obra barata e não qualificada e a gestão cuidada e profissionalizada começa a impôr-se à de ‘vão de escada’  e à contabilidade de merceeiro (que me perdoem os poucos que ainda resistem...);

– Cidadãos – uma nova atitude perante o trabalho, a formação e a qualificação, são fundamentais para a sua imprescindível contribuição.

Os Desafios que 2005 nos traz são assim uma ‘carga de trabalhos’, mas todos são unânimes em dizer que, de facto, há que deitar mãos-à-obra para recolocar a economia portuguesa no caminho da competitividade e do crescimento.

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