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ARTIGO

 
 

Investimento em I&D aquém da média europeia

Um papel mais preponderante das empresas em detrimento do Estado e o aumento do número de doutorandos e estudos publicados são medidas necessárias para que a investigação nacional se aproxime da realidade da União Europeia

A investigação em Portugal, depende, em larga medida, do financiamento do Estado que é, também, o principal responsável pelo seu desenvolvimento.

Ao contrário do que sucede em muitos países da União Europeia (UE), o financiamento da despesa em I&D é suportada em 61 por cento pelo Estado, de acordo com dados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), competindo apenas 31,5 por cento às empresas. A média europeia, calculada pela OCDE, demonstra a diminuição do investimento estatal que se quedou pelos 55,4 por cento. Aliás, países que só agora aderiram à UE como a República Checa ou a Eslováquia, já apresentavam, em 2002, um maior investimento das empresas em I&D do que Portugal.

No Luxemburgo, o investimento do Estado em I&D não chegou a oito por cento, com as empresas a financiarem 97 por cento da despesa, mas em países como a Grécia ou a Polónia a realidade é semelhante à nacional.

Quanto aos actores da investigação, o panorama português está longe do que se passa em termos médios na UE. A despesa em I&D é executada, em Portugal, principalmente pelo ensino superior (35,6 por cento) e empresas, (21,4 por cento), cabendo ao Estado quase 20 por cento. Na UE, o tecido empresarial assume 64 por cento da despesa, seguido pelos estabelecimentos de ensino superior (21,5 por cento) e em último pelo Estado, com menos de 14 por cento. Portugal, a par com países como a Grécia, apresenta uma fraca participação das empresas na realização da investigação.

O objectivo da UE de, em 2010, os países membros atribuírem à I&D três por cento do PIB passa também por uma maior participação do sector privado. É necessário um grande esforço para atingir essa meta e sensibilizar os privados da importância da investigação para o desenvolvimento e progresso do País. A taxa média de crescimento anual da despesa em I&D das empresas portuguesas tem vindo a aumentar de modo exponencial, a mais elevada da UE, demonstrando o atraso que é preciso colmatar.  

 

Poucos doutores

Os valores da investigação em Portugal afastam-se também da média europeia quanto ao número de doutoramentos, um indicador do contributo do sistema de educação para a formação de recursos humanos qualificados e a criação de massa crítica.

Se de 1990 a 1999 realizaram-se mais de cinco mil doutoramentos em Portugal ou reconhecidos por instituições nacionais, de 2000 a 2002 registaram-se 2.707, um valor superior ao registado em toda a década de 90. Portugal apresenta a mais elevada taxa de crescimento de doutoramentos em Ciência e Tecnologia da UE (13,98 por cento) enquanto que a média dos 25 países membros é de 1,54 por cento. Este rápido crescimento é consequência do forte atraso de doutorados nessa área. Com 0,26 novos doutoramentos por mil habitantes entre os 25 e os 34 anos, Portugal detém um dos valores mais baixos da UE, antecedido apenas pela Itália e pela Grécia.

Em relação à produção científica, o número de publicações quadruplicou de 1990 para 2000, reflectindo-se na mais elevada taxa anual de crescimento de publicações da UE (14,55 por cento). Mais uma vez este rápido acréscimo expressa o atraso do País, que ocupa a penúltima posição da UE (antes do alargamento) quando se analisa o número de publicações por milhão de habitantes.

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