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O Instituto Gulbenkian da Ciência (IGC) pertence à Fundação
Calouste Gulbenkian, uma instituição privada, de
utilidade pública, fundada há mais de 50 anos, e promove
a investigação na área da biomedicina e da biologia do
desenvolvimento nas plantas. O Instituto recebe nas suas
instalações, localizadas no Campus de Oeiras, grupos de
investigação e pós-doutorados, portugueses e
estrangeiros, que desenvolvem projectos de forma autónoma.
À semelhança da grande maioria das instituições que
promove a investigação em Portugal, é o Estado que
suporta a maior fatia dos orçamentos destinados a esse
fim. O Instituto não é excepção, sendo que do seu orçamento
anual, apenas onze por cento deriva da Fundação Calouste
Gulbenkian, “o que é essencial”, afirma o director
adjunto do IGC, Sérgio Gulbenkian. Neste orçamento
contam também com verbas da União Europeia e do National
Institute of Health (NIH) dos EUA.
Este responsável não deixa de louvar o facto de poder
dispor de um orçamento de cinco milhões de euros anuais,
“que está sempre garantido e que permite colmatar os
altos e baixos dos financiamentos”.
A falta de investimento dos privados na investigação é,
mais uma vez, a causa de todos os problemas, sendo
complicado manter essa actividade sem o apoio do Estado,
neste caso da Fundação para a Ciência e Tecnologia, o
que constitui, por si próprio, um novo desafio: “isto
também é um problema, porque para haver investigação a
sério tem de haver um financiamento continuado e
crescente e, muitas vezes, Portugal é por picos. Há anos
em que há muito dinheiro e outros em que há pouco. É
muito complicado trabalhar nessas condições”,
explicou.
O IGC teria dificuldade em manter o nível de investigação
desenvolvida sem o apoio da FCT, sem a qual “a nossa
investigação seria diminuta”, esclareceu Sérgio
Gulbenkian.
Autonomia
dos investigadores
Particularmente vocacionado para a investigação biomédica,
o IGC tem, neste momento, 82 estudantes de doutoramento,
entre os quais apenas dez por cento são estrangeiros. Por
outro lado, a maioria dos estudantes concorrentes continua
a preferir o estrangeiro onde, actualmente, se encontram
cerca de 50 portugueses com bolsas do IGC.
O IGC assegura também bolsas de ligação, ou seja,
durante o período de tempo em que o estudante está a
concorrer a uma bolsa de doutoramento (terminada a de
mestrado), não recebe bolsa o que é asseverado pelo
Instituto.
Mas além de dar formação pós-graduada, o Instituto
Gulbenkian da Ciência assume a missão de ser uma
“incubadora de novos líderes”, permitindo que recém
doutorados e pós doutorados há mais de dois ou três
anos, liderem os seus grupos, de cinco a seis pessoas,
“com plena autonomia”, permanecendo por períodos de
cinco anos. “Queremos formar líderes em ciência e
exportá-los para as universidades e outros institutos”,
explicou.
Nas suas instalações dispõe de um Biotério, com produção
de ratinhos com o estatuto de Specific Pathogen Free
(SPF), de uma unidade de “germ free” e de um serviço
de produção de animais geneticamente alterados. Mantém
relações com a Faculdade de Ciências e com a Faculdade
de Medicina, da Universidade de Lisboa, onde têm grupos a
trabalhar ao serviço do IGC e através dos quais fomenta
uma política de estágios; e associações de doentes com
Lupus e diabetes.
Faz ainda parte do
Laboratoire Européen Associé do CNRS, e do European
Mouse Mutant Archive e completa a rede europeia de centros
de mobilidade de cientistas, que irá facilitar a instalação
de investigadores estrangeiros em Portugal através da
informação, ou seja, oferece apoio ao nível do
alojamento, da escola para as crianças, aprendizagem de línguas,
obrigações fiscais, entre outras informações úteis.
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