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A
falta de meios para enfrentar a concorrência e a débil
capacidade de inovar são dois problemas comuns ao tecido
empresarial português, salvo alguns casos de sucesso.
Para inverter esse cenário e fomentar a competitividade,
o Programa de Incentivos à Modernização da Economia
(Prime) oferece diversas iniciativas de apoio às
estruturas empresarias mediante a apresentação de
projectos.
Modernização
das empresas, qualificação dos recursos humanos e
dinamização da envolvente empresarial são os três
eixos do Prime, postos em prática por um conjunto de
instrumentos de política económica de médio prazo nos
sectores da indústria, energia, construção,
transportes, serviços, comércio e turismo, tendo até
agora contado com uma forte participação dos três últimos.
O peso e aposta nestas áreas de actividade explicam o número
de candidaturas às iniciativas do Prime, ultrapassado
apenas, nalguns casos, pela indústria.
A
formação, o desenvolvimento tecnológico e a eficiência
energética são as principais áreas das acções do
Prime a que se podem candidatar os sectores dos Serviços,
Turismo e Comércio. Aliás, na acção Mape – medidas
de apoio ao aproveitamento do potencial energético e
racionalização de consumos e na Nitec – sistemas de
incentivos à criação de núcleos de investigação e
desenvolvimento tecnológico no sector empresarial, o número
de projectos apresentados por empresas de serviços foi
mesmo o mais elevado. A primeira acção, que procura
reduzir a intensidade e dependência energética nacional,
bem como promover o desenvolvimento de energias limpas e
renováveis, contou até ao mês de Junho, com a apresentação
de 285 candidaturas de empresas de serviços, tendo já
sido aprovadas 248, com um investimento superior a um milhão
de euros. A criação de núcleos de I&DT (investigação
e desenvolvimento e tecnologia), promovida através da acção
Nitec, já recebeu 54 candidaturas, das quais 26 foram
apresentadas pelo sector dos Serviços.
Ainda
na área tecnológica e de investigação, são diversas
as medidas de apoio concedidas pelo Prime. O Ideia, apoio
à investigação e desenvolvimento empresarial aplicado,
promove projectos de I&DT, o desenvolvimento de novos
produtos, processos e serviços através de acções de
investigação industrial, de investigação pré-concorrencial
e de desenvolvimento de protótipos e de acções piloto.
Antecedido apenas pela indústria, com 40 candidaturas, o
sector dos Serviços apresentou 25 projectos, dos quais só
oito, até ao mês passado, foram apoiados. Também no
sistema de incentivos à realização de projectos-piloto
relativos a produtos, processos e sistemas
tecnologicamente desenvolvidos (Demtec), a indústria
apresentou mais projectos do que os serviços (11), mas o
número de aprovações ainda é muito reduzido. No total,
das 73 candidaturas apresentadas, apenas 26 já foram
apoiadas. Por fim, o Sime Inovação, concebido para
apoiar o desenvolvimento de novos produtos e processos, já
recebeu oito propostas do sector da Indústria e três dos
Serviços, mas ainda não aprovou nenhuma candidatura.
Modernização
empresarial
O
aumento da competitividade das empresas, desde a modernização
das estruturas à formação do pessoal, é outra área
contemplada pelo Prime. A iniciativa Sime, sistema de
incentivo à modernização empresarial, recebeu 617
candidaturas do comércio, 505 do turismo e 222 dos serviços.
Promover abordagens integradas que visem o desenvolvimento
e o reforço de competitividade é um dos objectivos desta
acção que considera elegíveis investimentos superiores
a 150 mil ou 600 mil euros para PME e não PME,
respectivamente. O Sipie e o Urbcom são outras formas de
apoio, com elevada participação do comércio e serviços.
A criação ou desenvolvimento de micro e pequenas
empresas através do reforço da capacidade técnica e da
modernização das estruturas é o fim último do Sipie,
sistema de incentivos a pequenas iniciativas empresariais,
que já foi alvo de mais de seis mil candidaturas por
parte do comércio e por mais de três mil pelos serviços.
O Urbcom também visa a melhoria das actividades
empresariais, sobretudo do comércio e de alguns serviços,
tendo ainda em conta a revitalização do espaço público
envolvente e a animação comercial.
Quanto
à formação, as acções quadros e formação
profissional procuram dotar as empresas de pessoal mais
qualificado. Se o primeiro tende a promover um novo ciclo
de crescimento com a inserção de quadros das áreas da
economia, gestão e tecnologia nas empresas, a formação
profissional destina-se ao comércio, turismo e serviços
e procura aumentar as qualificações dos recursos humanos
das empresas.
O
Prime é composto ainda por iniciativas de apoio económico
como a criação e o reforço do capital de risco e a
garantia mútua, e à internacionalização, com a promoção
de uma envolvente favorável à actuação das empresas no
mercado global. As sete candidaturas apresentadas pelos
serviços já foram aprovadas, exigindo um investimento
superior a 11 mil euros.
Contas
em dia
Para
uma empresa apresentar uma candidatura a um dos programas
disponíveis no âmbito do Prime, é necessário reunir
uma série de condições. Para além de respeitar os trâmites
legais necessários ao desempenho da actividade, a empresa
deve possuir contabilidade organizada, ter uma situação
económico-financeira “equilibrada e regularizada face
à administração fiscal, à segurança social e às
entidades pagadoras do incentivo”, como se lê nos
documentos de apresentação de candidaturas. Face a estas
condicionantes, os apoios destinam-se a empresas com
alguma estabilidade, limitando o acesso de muitas a
incentivos que podiam ser uma mais-valia para a sua
recuperação ou dinamização económica.
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