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A situação económica das PME’s transportadores rodoviárias
de mercadorias tem-se agravado devido à crescente
fragmentação das estruturas empresariais, à constante
pressão nos preços daí resultante, ao aumento dos
custos dos combustíveis e consequente redução das
margens, e à dificuldade de gerir, em moldes
empresariais, num quadro legal que não considera as
especificidades do sector.
Mantêm-se baixos os níveis de externalização
(outsourcing) das actividades de transporte e logística
por parte das empresas industriais e comerciais, o que
reduz a eficiência e produtividade dos recursos e
contribui para que sejamos o país a ter de dispor da mais
numerosa frota de veículos pesados de toda a Europa
quando considerado o seu nível produtivo.
Desafios
impostos pela concorrência
Os desafios impostos pela concorrência derivam do
alargamento a leste da União Europeia, que fará crescer
o comércio e a procura de transportes, mas tornará mais
visíveis as nossas fragilidades, acentuando a situação
periférica da nossa economia e expondo as empresas a uma
maior concorrência internacional, nomeadamente espanhola.
A competitividade da indústria e do comércio tende, cada
vez mais, a ser obtida à custa da especialização
produtiva e da optimização e compressão dos custos logísticos,
o que requer operadores de transporte altamente preparados
para gerir redes de fluxos de carga com uma base
territorial em progressiva expansão, face à homogeneização
geográfica e económica proporcionada pelo mercado único,
primeiro, e pela moeda única, mais recentemente.
Risco
de redução de financiamento
Infelizmente, tanto a especialização produtiva como a
optimização logística, constituem duas das principais
fraquezas estruturais do tecido económico nacional o que,
aliado à pequena capacidade da nossa economia e à sua
limitação geográfica, justifica os nossos receios de
grave perda de competitividade do sector.
O desenvolvimento e modernização das empresas de
transporte e logística, assentes em medidas de reforço
da sua produtividade, constituem a chave para o aumento da
sua especialização. O risco de redução dos fundos
europeus para o período 2007/2013 é assim preocupante.
Com o objectivo de contribuir para o aumento da
competitividade da indústria nacional, do ambiente e da
segurança rodoviária, a ANTRAM defende as seguintes
linhas de intervenção estratégica:
- Investir mais em conhecimento: há que reforçar a formação,
em particular para motoristas e gestores, melhorando o
acesso às tecnologias associadas ao veículo, à informação,
à gestão logística e ao planeamento e controlo da operação
de transporte.
- Flexibilizar as relações laborais: assegurar uma
melhoria da qualidade de trabalho é um dever, mas no
quadro de uma regulamentação social e laboral que atenda
às especificidades do sector e promova a produtividade. O
novo Código do Trabalho não atende à especificidade
referida, pelo que é urgente dotar o sector de uma
regulamentação específica adequada.
- Aperfeiçoar o quadro legal que regula o sector: não
queremos que o Estado dirija o mercado, mas há muitos
vazios legais por preencher. As regras qualitativas de
acesso ao mercado têm que ser reforçadas e generalizadas
a todos os segmentos da actividade. A Administração Pública
tem que aliar-se às empresas e garantir clareza jurídica,
bem assim como rapidez e simplicidade processual.
- Definir uma estratégia nacional clara e coerente para o
preço da energia e para a fiscalidade no sector: o
imposto sobre o gasóleo deve garantir a competitividade
dos nossos produtos em face da posição periférica do País
e distinguir os usos profissionais dos pessoais. As
tabelas do imposto de camionagem e de circulação devem
ser reestruturadas, favorecendo o transporte público e
diferenciando os tipos de veículos como forma de promover
o rejuvenescimento da frota.
- Definir uma política eficaz de incentivos ambientais:
os transportadores profissionais de mercadorias podem
contribuir para que o Estado português cumpra as metas de
Quioto, ao nível da redução de emissões de gases com
efeito de estufa, através de:
-incentivos
que contribuam para a transferência de transporte de
mercadorias de conta própria para frotas públicas, de
forma a diminuir a intensidade energética no transporte.
Segundo o PNAC (Plano Nacional para as Alterações Climatéricas),
contribuiria para a redução total das emissões de gases
com efeito de estufa de cinco a seis por cento, até 2010;
- a redução do consumo de combustível no transporte
rodoviário de mercadorias, através da tributação dos
carburantes com tratamento diferenciado, de forma a
desincentivar o transporte privado e incentivar o público
e a redução da intensidade energética do transporte de
mercadorias, através de acções de formação sobre
condução económica para motoristas de transporte público
de mercadorias. De acordo com o PNAC, o impacto estimado
na redução de emissões de gases com efeito de estufa
(GEE), no período 2005-2010, situa-se entre 0,371 a
0,424TgCo2eq (dióxido de carbono equivalente), em
resultado da primeira medida de transferência de frotas,
entre 0,184 a 0,205 TgCo2eq, com a segunda medida e entre
0,114 a 0,130 TgCo2eq, com a terceira medida.
- Melhorar a mobilidade nas áreas urbanas e as
acessibilidades em todo o território nacional: os
impostos rodoviários devem servir a rodovia. O nível de
qualidade e a extensão da rede viária está ainda longe
do nível de impostos pagos. Se as vias estruturantes avançam,
num ritmo longe do desejável, a rede capilar não tem
sido uma prioridade, assistindo-se à sua alarmante
degradação, o que reforça, em muitos casos os factores
de desertificação no interior do País.
- Desenvolver o sistema logístico nacional: a situação
mais grave é a do nosso ordenamento logístico, que se
encontra ainda completamente por realizar. O
desenvolvimento do sistema logístico nacional deve ser
entendido como prioridade máxima para a modernidade da
nossa economia e para a sobrevivência dos nossos sectores
produtivos e exportador, dado que numa época como a
actual, a logística constitui o principal factor de
competitividade na cadeia de valor das empresas. Falta o
investimento público na criação de infra-estruturas logísticas
necessárias ao desenvolvimento das redes de transporte e
a sua ligação às redes transeuropeias. Para os
transportadores profissionais de mercadorias é urgente
melhorar a mobilidade e as acessibilidades, através da
criação de centros de transporte de mercadorias e de
parques de estacionamento de pesados nas Áreas
Metropolitanas de Lisboa e Porto, para o que são necessários
fundos públicos que cubram 50 a 60 por cento dos
investimentos necessários.
- Criação de uma comissão nacional do transporte rodoviário:
a vastidão e a natureza dos problemas ainda sem solução,
a necessidade de integração consistente de medidas de acção
e que estas se perspectivem num longo horizonte temporal
— idealmente 2010 — ,bem assim como a total falta, em
Portugal, de um ambiente de estudo e discussão orientado
para os resultados, no qual se exprimam de forma efectiva
e participada todas as valências e competências
presentes no sistema de transportes — governo, orgãos técnicos
da administração e comunidade empresarial — torna
imperioso criar uma estrutura orgânica de consulta, e
apresentação de propostas, ao mais alto nível e com
perdurabilidade: a Comissão Nacional do Transporte Rodoviário.
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