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O Turismo, como grande actividade económica do século
XXI, está obviamente na primeira linha, assumindo um peso
crescente na generalidade das economias.
Em Portugal, a importância económica do Turismo, que
coloca o País como 16º destino mundial, é relevante –
10,8 por cento do PIB, 11,1 por cento do VAB, 10,0 por
cento do emprego da população activa. A estes dados
importa acrescentar que as receitas externas do Turismo têm
hoje um contributo decisivo para a cobertura do défice da
nossa balança comercial, enquanto que os efeitos
multiplicadores que
induz nas demais áreas da economia nacional deveriam
merecer atenta reflexão, quando se constata que por cada
cinco euros de receita turística são induzidos na
economia 8,30 euros.
Estimando-se em 87 por cento o peso das PME’s no tecido
empresarial português, no caso da actividade económica
do Turismo, onde se desenvolvem muitas micro-empresas,
esse peso é ainda mais significativo, aproximando-se dos
95 por cento. Tal origina um quadro revelador das
peculiaridades da actividade. Por um lado, à semelhança
do que sucede por todo o mundo, assistimos a um crescente
envolvimento de praticamente todos os grandes grupos económicos
nacionais na actividade turística, seja através de
projectos que mobilizam investimentos consideráveis, seja
pela via de aquisições, enquanto muitas médias empresas
afirmam a sua vitalidade e crescimento, mesmo no plano da
sua internacionalização, com novas iniciativas. Por
outro lado, continua a assistir-se à constituição de
muitas micro e pequenas empresas na multifacetada
actividade turística.
Este cenário, sendo revelador da pujança da actividade,
da sua enorme importância para o futuro do País, não
esconde os grandes e variados constrangimentos com que se
defronta, muitos dos quais põem em causa a
competitividade da nossa oferta turística.
Com o recente aumento da taxa do IVA de 19 para 21 por
cento, o diferencial fiscal com Espanha ficou de tal forma
acentuado em matéria de fiscalidade em serviços turísticos,
que a nossa capacidade concorrencial, se era já frágil,
ficou mais enfraquecida. Se acrescentarmos problemas
diversos relacionados com a envolvente da oferta, sem
esquecer as gravosas questões burocráticas, encontramos
um quadro contraditório. Por um lado, dispomos de uma
actividade económica do Turismo formada por um tecido
empresarial dinâmico, que investe, que revela enorme
capacidade de inovar, para atender tendências e exigências
de mercados e consumidores. Por outro lado, não dispomos
de políticas, estratégias, nem de mentalidades que
apostem no desenvolvimento de uma cultura de Turismo no País,
quando precisamos de rapidamente implementar medidas e
modelos que nos conduzam a um futuro de sucesso.
Apresentado
estudo orientador do sector
Foi considerando que era indispensável encontrar um novo
quadro de referência para o Turismo nacional, que
estabelecesse as
grandes determinantes para o desenvolvimento sustentado da
actividade, que a Confederação do Turismo Português
decidiu, há cerca de dois anos, encomendar à Saer, através
de uma vasta equipa coordenada pelo Prof. Dr. Ernâni
Lopes, um estudo profundo que apontasse as linhas
orientadoras de um novo modelo estratégico para o Turismo
português.
Intitulado “Reinventando o Turismo em Portugal”, este
importante trabalho foi apresentado no 2º Congresso do
Turismo de Portugal, que a Confederação do Turismo
Português organizou
no Estoril, nos passados dias 4 e 5 de Julho.
Um documento que consideramos como um instrumento
indispensável na avaliação do presente e no
perspectivar do futuro e das novas realidades; que nos
alerta para desafios e nos aponta oportunidades; inovador,
quando representa a cadeia de valor do Turismo ou enuncia
o modelo integrado de comercialização; mobilizador,
quando inspirou o tema do congresso – “Reinventar o
Turismo, Afirmar Portugal”. Por tudo isto, também não
é surpresa que a edição deste estudo em livro seja já
um êxito editorial.
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