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Os Serviços ganharam, nos últimos anos, um avanço
considerável em termos de peso nas economias ocidentais
face à “mera” produção e gestão comercial de
produtos, sendo que esta terciarização afecta
profundamente a forma como social e economicamente nos
organizamos, e acima de tudo como gerimos a criação de
valor.
Esta revolução silenciosa nos mercados introduziu e
introduz diariamente desafios ao nível da gestão das
empresas, em especial no domínio do Marketing, que
passou, em alguns casos, de uma divisão relativamente
estanque e autónoma dentro de uma empresa, para uma
“plataforma giratória” de ligação permanente dos
mercados e dos clientes aos recursos humanos e operações
da empresa, onde a visão integrada do processo de oferta
do serviço passa a ter um papel crucial na oferta
competitiva e, em última análise, no valor percebido da
marca.
Para que se perceba com clareza porque é que esta mudança
de visão ocorre com esta profundidade, pensemos por um
momento: o que é um Serviço? Como é constituído e
estruturado? Como pode ser avaliado? Que factores
distintivos ocorrem no processo de oferta de um Serviço?
Existem cinco características básicas que mudam as
regras do jogo face ao mercado dos produtos:
1-Os Serviços são intangíveis: a componente da oferta
que configura o serviço é, na sua natureza, intangível,
não se organiza fundamentalmente em torno de objectos ou
estruturas palpáveis. A percepção que temos do serviço
é uma das formas fundamentais para a sua promoção.
2-São difíceis de avaliar: como é que se mede a prestação
de um serviço? Como é que se avalia objectivamente a sua
performance? Comparar pesos, formas e feitios de um
produto, as suas características funcionais e
conformidades objectivas é mais fácil de fazer do que
avaliar as características de performance de um serviço,
que dependem de outros factores como o tempo disponível
do receptor do serviço e de quem o presta.
3-Só podem ser medidos, à medida que são consumidos:
quando escolhemos um serviço e se tivermos
verdadeiramente várias opções de escolha, fazemos
internamente uma avaliação de todos os custos envolvidos
no processo de escolha em função da promessa de valor
que esperamos se venha a concretizar. Na verdade, apenas
poderemos dizer se a escolha foi a mais correcta quando o
serviço for integralmente prestado. E estamos
permanentemente a avaliar se a nossa escolha foi a mais
correcta face ao valor percebido.
4-O cliente faz parte do processo produtivo: a influência
humana em todo o processo de prestação do serviço é
determinante para o output final. Em todos os serviços, o
cliente pode influenciar o resultado final, o que não
acontece com os produtos de forma geral. O cenário onde
se presta o serviço não é uma fábrica robotizada onde
tudo acontece quase sem intervenção de pessoas. Nos
serviços, as pessoas determinam o serviço e o cliente
pode alterar, a meio, o tipo de serviço que lhe está a
ser prestado.
5-Não se podem fazer stocks de serviços: podemos ter um
armazém cheio de caixas para vender daqui a três meses
quando as condições de mercado forem mais favoráveis
mas os serviços têm que ser produzidos “na hora”,
isto é, satisfazer uma solicitação que acabou de
ocorrer para uma entrega urgente ou para uma consulta médica.
Este factor coloca uma enorme pressão nas organizações
em termos de picos de trabalho e gestão de recursos
humanos. É difícil imaginar o trabalho desenvolvido por
uma empresa de transportes urgentes na semana
imediatamente antes do Natal, por exemplo.
Pilares de sucesso
Se tudo isto não fosse suficiente para que o Marketing
tenha uma visão diferente da estratégia competitiva
quando promove um serviço, há ainda que considerar a
gestão dos canais de distribuição dos serviços que estão
a mudar de forma acelerada. As plataformas digitais e
electrónicas que nos ligam a todos em rede vêm abrir um
mundo de novas possibilidade para os serviços. A banca
electrónica é apenas um dos exemplosm, com um mundo de
possibilidades financeiras e de gestão de transacções e
serviços bancários à distância de um clique, onde
Portugal está muito bem colocado em termos de inovação
e desenvolvimento.
Face à explosão da internet e da constatação de um número
cada vez maior de cidadãos e consumidores ligados a
portais e a blogs, algumas empresas estão mesmo a passar
elevados orçamentos publicitários da televisão para a
internet, como a Pepsi. O primeiro episódio de uma série
“televisiva” com a conhecida actriz Christie Alley foi
recentemente estreado nos Estados Unidos, ao mesmo tempo
numa cadeia de televisão e no portal da internet !Yahoo.
Estima-se que a audiência via internet do programa tenha
ultrapassado o número de telespectadores por uma margem
confortável... quanto tempo demorará para passarmos do
termo Broadcast associado à emissão televisiva para os
termos Webcast e iPodcast? Estes fenómenos mudam as
regras do jogo e criam novas oportunidades para os serviços.
Existe alguma dificuldade também em separar totalmente o
que é produto e o que é serviço. Onde acaba um e começa
outro? Qual é a linha de fronteira? Face à
intangibilidade dos serviços, muitas vezes baseamos a
nossa avaliação e percepção em factores palpáveis,
que podemos rapidamente avaliar. Talvez seja inteligente
gerir a componente física da oferta de serviços. Na criação
de valor na oferta, muitas vezes é desejável que haja
uma boa interligação entre ambos, quase uma união de
esforços em que ambos se complementam. Quando isto
acontece e quando o factor serviço é determinante para a
percepção global da oferta, podemos esperar que a
empresa e a gestão de Marketing de uma empresa de serviços
bem sucedida esteja a dominar três pilares fundamentais
que determinarão o sucesso futuro da marca:
-Experiências: toda a gestão integrada do processo de
oferta de um serviço proporciona uma experiência, que é
a verdadeira mais valia de um serviço e que ganha cada
vez mais adeptos na forma de determinação do valor
inerente à oferta. Os clientes querem experiências
diferenciadoras, necessitam que a empresa articule de
forma harmoniosa os seus recursos para que sobressaia a
experiência vivida com o serviço.
-Relacionamento Permanente com o Cliente: numa altura da
evolução das sociedades em que estamos todos ligados em
rede, a empresa pode e deve proporcionar aos seus cliente
um relacionamento que promova a sua fidelização.
Vivemos, comemos, brincamos, jogamos e até dormimos com
os telemóveis, estamos a um sms ou um mms de distância
uns dos outros. As empresas só não promovem estratégias
de relacionamento se não tiverem uma visão alargada do
negócio ou não souberem como agir. Dessa estratégia
depende o valor percebido da marca.
- Gestão Integrada da
Comunicação: se a avaliação essencial da escolha de um
serviço se faz com base na percepção que existe no
mercado e se a percepção do mercado se constrói na base
da articulação entre a qualidade esperada de um serviço
e a qualidade experimentada pelos seus clientes ao longo
do tempo, então a comunicação de Marketing, por si só,
é um factor determinante de criação de valor para a
marca. Mais, essa comunicação deve ser integrada e
abrangente de todos os pontos de contactos possíveis
entre a organização e o cliente. Na prática, a mensagem
elementar do serviço que se pretende transmitir numa
determinada altura deve estar alinhada em todos os pontos
de contacto entre a organização e o cliente, sejam esses
pontos de contacto a loja física, a internet, um outdoor
publicitário ou uma visita de um comercial.
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