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OPINIÃO

 
 

Gonçalo Caeiro

Chairman e Chief Executive Officer da Infosistema

 

Consultoria e outsourcing: as duas faces da moeda

O termo consultoria aparece muito associado ao outsourcing. Na realidade, muito da “actual consultoria” não é mais do que o mesmo trabalho realizado por empresas externas e não significa necessariamente que sejam serviços de consultoria, de aconselhamento e apoio aos executivos. Poder-se-ia dizer que toda a externalização de funções em que seja requerido um know elevado é usualmente apelidada de consultoria

A consultoria, entendida no sentido lato de outsourcing, tem vindo a crescer por uma tendência natural de especialização e verticalização das empresas e organizações. É preciso ganhar produtividade e focus e isso significa reduzir o número de operações fora do core business, contratando fora esses serviços. Os ganhos de eficácia e produtividade obtêm-se em duas vertentes; economias de escala e de experiência.

As grandes empresas têm vindo a perceber que, mesmo que tenham economias de escala em algumas operações não “core”, não conseguem gerir bem as operações. A falta de competição na área não core business não permite às empresas clientes garantir processos de constante actualização e de incorporação de melhores práticas. O recurso ao outsourcing é uma forma eficiente de trazer para dentro da organização uma melhor forma de trabalhar.

Por outro lado, existem os vectores de “accountability” e de visibilidade dos custos financeiros. O outsourcing permite mais facilmente estabelecer uma definição clara das responsabilidades e metas a atingir no fornecimento do serviço.

Neste contexto, o outsourcing é visto como uma oportunidade importante para melhorar a qualidade do serviço, ao obrigar os gestores a concretizarem qual o custo e qualidade aceitáveis com que cada operação deverá estar a funcionar.

 

Áreas mais procuradas

Os serviços de consultoria na Europa têm já um peso grande, mas ainda estão longe dos EUA nesta matéria. A baixa flexibilidade da lei laboral europeia está a condicionar a rapidez com que as empresas conseguem recorrer a serviços de consultoria por forma a substituir as suas operações internas. No entanto, o recurso a serviços de consultoria externa e a quantidade desses serviços é maior em economias que possuam um elevado número de empresas grandes, pelo que Portugal e Espanha terão sempre um menor volume do que a Alemanha, a França ou os EUA.

Mesmo assim, a consultoria está a ter um peso crescente nas áreas financeiras e de backoffice (auditoria, contabilidade, recursos humanos), tecnologias de informação e marketing, onde o know how é crucial. Nas áreas de call centers, recrutamento ou trabalho temporário, a procura deve-se essencialmente ao custo dessas operações.

Isto porque, usualmente, é apenas um dos factores que lidera a decisão de recorrer à consultoria: custo ou qualidade. Os gestores não olham inicialmente para a relação qualidade/custo, mas apenas para um deles. Como tal os serviços a serem externalizados são de dois tipos: ou de baixo valor onde se procura o reduzir o custo, ou de elevado valor onde se procura melhorar a qualidade (mantendo o custo). Claro que uma vez tomada a decisão de externalizar os gestores querem aumentar a qualidade e diminuir o custo simultaneamente.

 

A crescente especialização

A causa da utilização da consultoria é a especialização, o que permite às consultoras serem mais eficientes do que os seus clientes nessa área. A especialização da consultoria é a forma que as consultoras têm de competir entre si e tornar as suas operações mais eficazes num determinado vertical relativamente às suas concorrentes.

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