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A aposta na educação e formação são prioridades da
União Europeia (UE) que, no âmbito da Estratégia de
Lisboa, quer tornar o espaço europeu no mais competitivo
do mundo até 2010.
Atenta às especificidades e dificuldades dos sistemas de
ensino dos vários Estados--membros, a UE tem vindo a
criar medidas de aproximação entre os mesmos, das quais
o Processo de Bolonha será o ponto alto. A mobilidade de
estudantes e professores, apontada como uma mais-valia
para o desenvolvimento do potencial económico europeu, é
promovida e incentivada por várias acções comunitárias.
À mobilidade de alunos e professores associa-se de
imediato a acção Erasmus, integrada no programa Sócrates.
O intercâmbio de estudantes é, talvez, a face mais visível
da troca de experiências entre os 25 Estados-membros, a
que acrescem a Noruega, Suíça e Islândia, entre outros.
Todos os anos, milhares de alunos do ensino superior
deslocam-se, por um período de três a 12 meses, a um país
europeu onde frequentam aulas do curso em que estão
matriculados. No ano lectivo de 2003/2004, segundo dados
da Comissão Europeia, o número de estudantes que
participaram no programa sofreu um acréscimo de 9,4 por
cento, envolvendo, no total, mais de 150 mil cidadãos
europeus entre alunos e professores. Até 2011, a Comissão
quer atingir a meta dos três milhões de estudantes,
quase 300 mil por ano. Espanha continua a ser o país mais
atraente para os alunos e a Alemanha capta sobretudo
docentes. Línguas e estudos económicos são as áreas
com maior número de alunos do Erasmus. A criação de um
sistema de avaliação por créditos (ECTS – Sistema
Europeu de Transferência de Créditos) veio facilitar a
atribuição de equivalência às notas atribuídas
durante a acção.
Actividades de mobilidade, com benefícios linguísticos e
culturais para os discentes e com valorização
profissional para os professores são as vertentes mais
conhecidas da acção Erasmus, que passa ainda por medidas
de cooperação universitária e pela criação de redes
temáticas. A acção implica mais de 200 milhões de
euros por ano em bolsas para estudantes e professores.
O programa Erasmus Mundus, separado do programa Socrates
mas que também se norteia pela mobilização para outros
países europeus, promove cursos de mestrado. Com mais de
80 universidades enquadradas nesta medida, dispende mais
de 40 milhões de euros por ano.
Acções
transversais
O programa Sócrates não se esgota no Erasmus. Formado
por oito acções, tem como objectivo promover a qualidade
da educação, estimulando a cooperação entre os países
participantes. Em vigor desde Janeiro de 2000, a segunda
fase do Programa estende-se até Dezembro de 2006,
dispondo de um orçamento superior a 1.850 milhões de
euros.
O ensino escolar e a educação de adultos são áreas
contempladas pelo Programa Sócrates através das acções
Comenius e Grundtvig, respectivamente. As várias fases do
ensino escolar, desde o pré--escolar ao secundário são
contempladas na iniciativa Comenius que procura melhorar a
qualidade e reforçar a dimensão europeia do ensino, ao
mesmo tempo que promove a aprendizagem de línguas e a
consciência intercultural. Parcerias entre escolas, formação
do pessoal educativo e a criação da “Rede Comenius”
são as medidas previstas para levar a cabo as metas
propostas. Já a acção Grundtvig, destinada a adultos,
abrange todas as modalidades de aprendizagem concretizadas
em acções como projectos de cooperação europeia,
parcerias de aprendizagem, bolsas individuais de formação
para professores e, mais uma vez, a criação de uma rede.
Além de medidas de acompanhamento e de acções conjuntas
entre os diversos programas comunitários, a iniciativa Sócrates
prevê ainda a aprendizagem de idiomas através da acção
Língua, ao passo que a acção Minerva desenvolve uma
educação aberta e à distância, com a utilização de
tecnologias de informação e comunicação. Por último,
a criação de um espaço de observação da diversidade
de sistemas de ensino, políticas e contextos educativos
na Europa é outra acção disponibilizada.
Formação
profissional
O programa Leonardo da Vinci é outra iniciativa comunitária
no âmbito da educação e formação que apoia e
complementa actividades desenvolvidas nos Estados-membros
da UE, melhorando políticas e práticas de formação.
Com um orçamento global de 1,15 biliões de euros para o
período 2000-2006, fomenta projectos de cooperação
internacional, tendo sempre presente e as especificidades
dos sistemas nacionais e atendendo às suas necessidades.
O objectivo não é uniformizar diplomas de formação,
mas antes tirar proveito das experiências positivas
encontradas pelos diversos Estados. A melhoria das aptidões
e das competências das pessoas, da qualidade e do acesso
à formação e do reforço e promoção das mesmas são
as metas finais do Leonardo da Vinci. Estágios e intercâmbios,
projectos piloto transnacionais, competências linguísticas
e materiais de referência são as medidas adoptadas para
concretizar o Programa.
Com o novo quadro económico
da UE para o período 2007-2013, os programas comunitários
devem sofrer algumas alterações. Por proposta da Comissão
Europeia, expressa no ano passado, deveria instituir-se um
programa integrado de educação e formação ao longo da
vida, caracterizado por uma maior simplificação e
descentralização. As acções Comenius, Erasmus,
Leonardo da Vinci e Grundtvig passariam a integrar esse
programa, complementado ainda por outros dois. Um de
natureza transversal, que contemplasse quatro vertentes
– desenvolvimento político, acção linguística,
experimentação da generalização das abordagens do
ensino on-line e a exploração e transferência de bons
resultados e experiências dos sistemas de ensino e formação
e o outro, o programa Jean Monnet, caracterizado por acções
de integração europeia (instituições e associações
europeias no domínio do ensino e formação).
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