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O País carece de diplomados ao contrário do que a vox
populi pensa, defende o Programa de Governo, sublinhando o
atraso de Portugal em relação a outros países da União
Europeia (UE).
Concretizar o processo de Bolonha, reforçar o sistema de
ensino superior com instituições autónomas, promover a
qualidade e impulsionar a igualdade de oportunidades são
os objectivos essenciais da política governamental para o
período 2005-2009.
A implementação do processo de Bolonha para além de
implicar a alteração da Lei de Bases do Sistema
Educativo, aprovada recentemente, obriga a um reforço da
dimensão pedagógica, com a revisão do Estatuto da
Carreira Docente e a criação de contratos-programas com
as instituições.
A segunda grande finalidade do Governo aposta na autonomia
das instituições de ensino através de condições para
o desenvolvimento de um sistema “integrado
internacionalmente, valorizando a articulação entre
instituições com missões distintas e funções
diversificadas e promovendo a sua autonomia”. As várias
dimensões da autonomia das instituições
(administrativa, financeira, patrimonial) serão
definidas, bem como os respectivos mecanismos de controlo.
As instituições terão liberdade de organização, mas o
Programa de Governo estabelece alguns pontos comuns que têm
de ser respeitados como, entre outros, a eleição dos
seus dirigentes máximos; a existência de órgãos
colegiais de deliberação, em que o número de
representantes docentes não seja inferior à soma dos
representantes de discentes e funcionários; e a existência
de órgãos pedagógicos com poderes próprios e
representação paritária entre docentes e discentes.
Ainda no âmbito da política de autonomia das instituições,
está prevista a
coexistência das formações e ambientes de ensino e a
pesquisa das universidades e dos politécnicos,
“garantindo o relacionamento mais estreito entre os
subsistemas (...), valorizando a experiência em ambos”.
A concessão de graus académicos (mestre e doutor) deixa
de depender apenas de critérios administrativos, a que se
juntam requisitos de qualidade. O financiamento das
instituições terá por base o número de alunos que as
frequentam, completados por critérios do número de
diplomados e dos resultados de avaliação. Quanto à
dualidade instituições públicas e privadas, compete ao
Estado apoiar o investimento privado, sobretudo em áreas
prioritárias, e assegurar o acesso dos estudantes deste
subsistema às ajudas concedidas pela acção social
escolar.
Ensino
estável e de qualidade
A vontade política de aumentar o número de diplomados, não
significa a abertura de novos estabelecimentos de ensino e
o acréscimo de vagas. O Executivo privilegia a consolidação
do sistema de ensino, adequando “a oferta de vagas ao
andamento da procura dos cursos pelos estudantes e das
qualificações respectivas por parte do tecido económico
e social”, atentando ainda à relevância científica e
cultural das mesmas. Assim, está previsto o investimento
prioritário nas áreas da saúde, cumprindo o acordado
com as instituições em 2001, e das tecnologias,
estimulando os alunos do ensino secundário a optarem por
cursos de engenharia.
No sentido de fortalecer o ensino superior, o Executivo,
considera estar na altura de criar um sistema nacional,
mas reconhecido a nível internacional, que garanta a
qualidade do sistema de ensino e abranja todas as instituições.
Por fim, dos objectivos
propostos pelo Governo, surgem as medidas políticas que
asseguram a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino
superior. Sublinhando que “um diploma de ensino, para além
de ser um direito de quem mostrar ter capacidade e mérito,
é um recurso muito importante em termos de aprendizagem
futura, projecto de vida e empregabilidade”, as medidas
políticas procuram atrair mais jovens e adultos para a
formação superior. Para concretizar esse objectivo, o
Governo compromete-se a não aumentar, a preços
constantes, as propinas do primeiro ciclo de formação;
criar mecanismos que beneficiem os estudantes com melhores
percursos escolares; acolher mais
trabalhadores-estudantes; e melhorar a eficiência dos
sistema de acção escolar.
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