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Nos últimos anos, o ensino superior tem sido alvo de
algumas reformas e, para além da expansão das instituições
privadas na educação, a concessão dos graus académicos
também foi modificada.
O ensino politécnico, por tradição tido como mais
profissionalizante e concebido para a inserção de jovens
no mercado de trabalho, passou a conceder o grau de
licenciatura e a oferecer cursos de especialização, pós-graduações
e mestrados, à semelhança das universidades.
O presidente do Conselho de Reitores das Universidades
Portuguesas (CRUP), Adriano Pimpão, considera que a
“obtenção dos novos graus académicos é uma tendência
natural e correcta, verificável em toda a Europa”. A
qualificação do corpo docente das instituições é
“um direito que assiste a este e um benefício para o País”.
Aliás, “só
uma visão retrógrada poderia admitir limitações neste
caminho”, defende o presidente do CRUP. No entanto,
afirma que “o que deve distinguir um curso universitário
de um curso politécnico é o perfil da formação, mais
ou menos profissionalizante, e não a placa com o nome da
instituição onde é ministrado”. Ciente de poder
“existir alguma duplicação de cursos”, sublinha que
“tal não devia acontecer se fosse respeitada a diferença
da natureza dos cursos”.
Assim, as relações entre os subsistemas universitário e
politécnico “deveriam ser complementares”, mas
“desde o início que se cometeu um erro de política”.
“O objectivo não foi criar instituições com formações
alternativas, mas sim colocar uma instituição de ensino
superior em cada capital de distrito”, critica Adriano
Pimpão. No entanto, “o Politécnico só será visto
como segunda escolha quando opta por uma via
“paroquial” e não de afirmação da característica
de diferenciação da natureza dos seus cursos”,
sustenta. É que no panorama nacional existem “bons
politécnicos” que disponibilizam “cursos de elevado nível”.
Quanto ao ensino superior privado, o presidente do CRUP
considera que existe um bom relacionamento entre as
comunidades académicas, mas “o problema surge, por
vezes, na concepção diferente sobre a visão
comercialista do ensino superior e no comprometimento político-partidário
de algumas iniciativas privadas no ensino superior”.
Aposta
na qualidade
Nos últimos anos, o número de candidatos ao ensino
superior sofreu um abrandamento, não só pelos níveis de
insucesso escolar no ensino secundário, mas também pela
tendência demográfica a que se tem assistido no País. A
oferta de cursos e vagas começa a exceder a procura.
Adriano Pimpão acredita que há espaço para os três
subsistemas de ensino coexistirem, “mas torna-se necessário
melhorar a qualidade através de avaliações e acreditações
externas e proceder--se à racionalização da oferta”.
As universidades “poderão não estar desfasadas” das
necessidades da sociedade, afirma o presidente do CRUP,
que pede aos “dirigentes e corpo docente e de investigação
uma atitude mais activa de perceberem a evolução da
sociedade e de terem também a capacidade de contribuir
para a sua evolução ao serviço da melhoria de condições
de vida das pessoas e do ambiente”.
Apesar do excesso de
oferta de formação superior, o problema de Portugal “não
é excesso de qualificação, mas défice de visão estratégica
em muitas empresas, preferindo poupar no pagamento a
pessoal mais qualificado, perdendo competitividade”. A
solução passa por uma requalificação da gestão das próprias
empresas e “cabe aos governos delinear as políticas
para tal”. Adriano Pimpão, a avaliar pelo Programa de
Governo, considera que a estratégia governamental poderá
ter uma “incidência positiva no processo produtivo e na
competitividade da economia portuguesa”, com uma “política
inovadora de modernização do ensino superior”.
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