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O grau de licenciatura tem vindo a democratizar-se nos últimos
anos graças ao aumento de vagas nas instituições públicas,
mas também ao aparecimento de estabelecimentos de ensino
privado que disponibilizam uma vasta panóplia de cursos.
Depois de uma fase de expansão, o sector começa a
retrair-se e as políticas governamentais vão no sentido
de ajustar as vagas às necessidades do mercado. Ao mesmo
tempo que o desemprego tende a afectar os jovens
licenciados, a aposta na formação pós--graduada
aumenta, com a expansão de cursos de especialização e
mestrado. Também os doutoramentos têm sofrido um acréscimo
nos últimos anos. A formação como uma mais-valia
profissional (e mesmo pessoal) parece enraizar-se no País.
De acordo com a análise do Observatório da Ciência e do
Ensino Superior (OCES), os graus de bacharelato,
licenciatura, especialização ou pós-licenciatura e
mestrado aumentaram 107,5 por cento de 1993/94 a 2002/03,
com o número de diplomados a passar dos 32 mil para mais
de 67 mil, respectivamente. O ensino público sofreu um
acréscimo de 119,2 por cento, sendo responsável por mais
de metade dos diplomados.
Também o número de doutoramentos tem vindo a aumentar.
No período de dez anos (1992-2002) quase que triplicou,
passando de 351 em 1992 para 952 em 2002. Desses, apenas
uma pequena parte foi realizada fora do País e
posteriormente reconhecida por instituições nacionais.
Ao contrário do que sucede com a frequência no ensino
superior, o grau de doutor é predominantemente masculino,
embora nos últimos anos tenha-se verificado uma maior
aproximação entre os dois sexos. As Ciências Sociais e
Humanas, no período estudado pelo OCES, detiveram o maior
número de doutoramentos (2475) seguidas pelas áreas de
Engenharias e Tecnologias e Ciências Exactas (1153 e
1138, respectivamente). As Ciências Agrárias e Veterinárias
foram as áreas científicas menos abordadas em teses de
doutoramento.
Menos
sete mil alunos
A política de numerus clausus nos estabelecimentos públicos
condicionou o acesso de muitos jovens ao ensino superior,
levando ao desenvolvimento do ensino particular e
cooperativo para dar resposta à procura. A partir do ano
lectivo de 1993/94 seguiu-se uma política de aumento das
vagas, quer no público, quer no privado, tendo atingido o
máximo de 91 555 lugares em 1999/2000, longe dos cerca de
64 mil disponíveis seis anos antes. Desde o ano 2000, as
vagas têm vindo a diminuir, quedando-se pelas 80 mil em
2003/2004, segundo dados do OCES. O ensino público,
apesar do crescimento do privado e cooperativo, continua a
deter o maior número de vagas, mas no não público o
aumento foi mais significativo.
Por áreas de formação, as “Ciências Sociais, Comércio
e Direito” lideram o número de vagas, com 24 814,
seguida e pelas “Engenharias Industriais,
Transformadoras e Construção”. A área de “Saúde e
Protecção Social” tem apresentado o maior crescimento
ao longo dos anos: se em 1993/94 dispunha de pouco mais de
quatro mil vagas, em 2003/04 ascendeu às 11 mil. Os
“Serviços” são a área de formação com menor número
de lugares (5141).
O número de alunos inscritos no ensino superior tem
conhecido algumas oscilações, mas com um ritmo de
crescimento positivo desde 1993/94 até 2002/03, ano
lectivo que reuniu o maior número de matrículas de
sempre (mais de 395 mil estudantes). No ano lectivo
seguinte, o ensino superior perdeu mais de sete mil
estudantes, com uma descida mais acentuada no ensino não
público.
O sexo feminino ocupa uma
posição predominante nos sistemas de ensino,
representando 51,6 por cento dos alunos matriculados em
2003/04, conforme os dados do OCES. Apesar dessa posição,
as áreas de formação atraem, em diferentes proporções,
rapazes e raparigas para a frequência dos respectivos
cursos. “Engenharia, Indústria Transformadora e Construção”
é a área de formação onde o sexo masculino predomina:
num total de 84 mil matrículas, mais de 61 mil dos alunos
são rapazes. “Educação” e “Saúde” são áreas
de forte presença feminina, onde a diferença de sexos é
mais notória. Se pouco mais de seis mil rapazes seguem
cursos ligados à educação, mais de 33 mil raparigas
optam por essa via. Nas áreas de “Artes e
Humanidades”, “Ciências” e “Serviços”, o número
de alunos de ambos os sexos é muito semelhante.
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