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Até ao final da legislatura, a tutela do ensino superior
pretende extinguir os cursos que não tenham, pelo menos,
20 alunos inscritos.
A decisão foi anunciada pelo ministro da Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior, que promete não ceder a
pressões para recuar nessa matéria. Salvo algumas excepções,
o Governo não vai financiar cursos com menos de dez
alunos, situação prevista na lei, e, de forma gradual e
ao longo dos quatro anos de governação, vai aumentar
esse número até aos 20 estudantes.
A medida foi bem aceite pelo Conselho de Reitores das
Universidades Portuguesas (CRUP), já que permite encerrar
cursos sem saídas profissionais. Aliás, o presidente do
CRUP, Adriano Pimpão, sublinha que essa questão já
tinha sido apontado por eles. “Concordo com o princípio
de acabar com cursos com menos de 20 alunos, pois a ideia
não é manter cursos com poucas saídas profissionais”.
A solução, para Adriano Pimpão, passa pela reconversão
e congregação dos cursos que têm menos saída no
mercado de trabalho. “Um aluno terá de frequentar um
curso mais abrangente e depois fará uma pós-graduação,
uma especialização”, aponta. Ciente de que com esta
medida alguns cursos vão desaparecer, sublinha que é benéfica
e que vai ao encontro do interesse do aluno. “Em vez de
tirar um curso específico mas com pouca saída no
mercado, o aluno faz um mais abrangente e depois poderá
fazer a especialização”, afirma o presidente do CRUP.
Efeitos
da medida
Para o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores
Politécnicos (CCISP) a questão não está livre de críticas.
De acordo com o presidente do CCISP, Luciano de Almeida, a
decisão da Tutela terá consequências trágicas, uma vez
que 37 por cento dos cursos do ensino superior público
que abriram vagas no passado ano lectivo tinham menos de
20 alunos matriculados. Embora concorde com a medida em
alguns casos, a generalização põe em risco áreas de
formação e o lugar de “20 mil professores”, que
ficariam no desemprego. “O número de vagas nunca pode
ser igual em todos os cursos. Há muitos sem as 20 vagas
preenchidas e cuja extinção significaria abolir este
conhecimento do panorama científico nacional”, afirmou
Luciano de Almeida em conferência de imprensa, apontando
como exemplo o curso de Engenharia Naval do Instituto
Superior Técnico que, todos os anos, conta com o ingresso
de menos de 20 alunos.
Muitas instituições
perderiam até 77 por cento dos seus alunos, sobretudo nas
ilhas e no interior do País, alerta o representante dos
politécnicos. Com base nos resultados do último concurso
nacional de acesso, o CCISP demonstra que a decisão do
ministro Mariano Gago pode significar o fim de 376 das
1.046 licenciaturas e bacharelatos existentes no País. A
Universidade dos Açores deverá encerrar 77 por cento dos
cursos, ao passo que a Universidade de Évora e o
Instituto Politécnico de Coimbra terão de fechar cerca
de 60 por cento. Mas outras instituições terão cenários
preocupantes para o CCISP, como o Politécnico de Bragança
e Vila Real, onde o fecho dos cursos atingirá os 58 e os
56 por cento, bem como o Politécnico de Braga (45 por
cento), a Universidade da Madeira, a Universidade da Beira
Interior e a Universidade do Algarve.
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