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Na sequência do documento “Princípios de Orientação
Estratégica para o Ensino Superior” apresentado no início
do ano, o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores
Politécnicos (CCISP) procedeu a uma reflexão aprofundada
dos principais desafios do ensino superior.
Nesse documento, o CCISP propõe medidas em vários campos
do ensino superior, em matéria de financiamento,
auditorias externas às instituições públicas que
determinassem “qual o orçamento necessário e a
natureza dos desvios ao orçamento padrão para que cada
instituição cumpra com qualidade a sua missão”,
identificando os “desperdícios” e as “necessidades
de financiamento”. As propinas, por outro lado, “devem
ser fixadas pelo Governo e não pelas instituições,
devem ser iguais para todos os cursos e estabelecimentos
de ensino e o produto da sua cobrança deve ser utilizado
em programas de melhoria da qualidade e não no
financiamento das despesas de funcionamento das instituições,
que incumbe ao Estado e não aos estudantes”, enfatiza.
O Conselho aproveita ainda para reafirmar “que deve ser
respeitado o princípio constitucional que determina que,
na realização da política de ensino, incumbe ao Estado
estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os
graus de ensino”.
O CCISP defende ainda o acesso ao ensino superior de todos
os jovens que terminem o secundário com sucesso. Num
sistema em que vigora a realização de provas de
ingresso, estas devem ser de “seriação”, tendo
acesso ao ensino superior todos os candidatos que
“tenham uma nota igual ou superior a 95 (na escala de
zero a 200)”, considera o CCISP. Contrário à exigência
de uma nota mínima de acesso, o Conselho exige a revisão
das condições de entrada no superior que “a
manterem-se podem reconduzir o País a níveis de atraso
tecnológico típicos de países subdesenvolvidos”.
Avaliar
instituições e docentes
A rede global de instituições de ensino, pública e
privada, “é suficiente para as necessidades do País”,
atesta o CCISP, defendendo que “não deve ser criada
nenhuma nova universidade ou instituto politécnico, sem
prejuízo da eventual transformação em razão da
natureza de instituições já existentes”,
relativamente às quais o Conselho dos Politécnicos
procedeu a uma avaliação dos cursos do ensino superior,
“que considera globalmente positiva”. Contudo, e face
a um modelo de avaliação “esgotado”, o CCISP propõe
um sistema que abranja todo o ensino superior, sob a
coordenação de uma entidade única e independente e que
a avaliação incida sobre o processo de formação, mas
também nos resultados da mesma.
Em relação aos professores, o CCISP vai analisar a
possibilidade de implementar “um sistema de avaliação
do pessoal docente assente em critérios objectivos,
conduzido por uma entidade competente para avaliar” nas
vertentes científica, pedagógica e administrativa. A
revisão e aprovação dos quadros de pessoal docente,
“prometida em 1995 e 1997”, “continua por fazer” e
é outra exigência do CCISP.
Por fim, a concretização
do Processo de Bolonha também foi alvo de apreciações
por parte do CCISP que “vê com apreensão o surgimento
de alguns ‘voluntarismos’ por parte de algumas
instituições” que prevêem implementar as normas de
Bolonha em todos os cursos no próximo ano lectivo. O
Conselho espera que até à aprovação da nova Lei de
Bases, o Governo assegure o “respeito” pela legislação
em vigor relativa ao ensino superior “sob pena de se
poder lançar o caos” e que o Processo de Bolonha não
seja “inquinado por uma lógica de redução do
investimento público no ensino superior”.
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